1- O Projeto

O projeto de extensão “Epitácio: da fronteira ao por do sol” se articula em torno de três eixos:

                Num primeiro momento o docente e bolsistas realizam uma pesquisar sobre a história e peculiaridades regionais, que remontam a condição de “longínqua” fronteira até a gigantesca transformação espaço-social representada pela inundação do Rio Paraná.

                Posteriormente será confeccionado diversos materiais educacionais, físicos e virtuais, sobre o patrimônio Cultural, Histórico e Natural da cidade e região, assim como, analises que permitam esboçar as vocações futuras socioeconômicas do município.

                Por fim, a pesquisa, juntamente com o material confeccionado, será utilizado para a promoção de palestras, e exposições, nas escolas públicas do município. Tal finalidade do projeto é imprescindível pois a educação histórico-social-patrimonial permite um enriquecimento individual e coletivo, servindo de instrumento de alfabetização cultural, levando os indivíduos à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que a população esta inserida.

 

                A preservação e difusão da memória estabelece um vínculo entre presente e passado possibilitando que as diversas gerações entendam-se como agentes históricos uma vez que compreendem a própria paisagem onde vivem de uma maneira mais profunda. Desse entendimento resulta a importância do reconhecimento da localidade como elementos próprios de sua própria história, do espaço geográfico, das paisagens e das construções.

                Partindo da premissa que só valorizamos aquilo que compreendemos o projeto de extensão “Epitácio: da fronteira ao por do sol” buscará traçar um perfil histórico-sociológico do patrimônio Cultural, Histórico e Natural da cidade e região de Presidente Epitácio, no intuito de ajudar a criar uma cultura que valorize a geografia, o povo e a história do município.

                É necessário afirmar que o Patrimônio Cultural não pertence a um indivíduo em particular, mas a toda sociedade e, deste modo, o resgate consciente do passado faz com que a sociedade não perca sua identidade cultural e mantenha vivo o sentimento de pertencimento, neste caso sendo adequado à realidade local turística, permitindo que a valorização da memória social valorize a própria região impulsionando-a de modo turístico.

                Por fim, mas não menos importante, a valorização histórico-social-patrimonial é uma das diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Desse modo, o Instituto Federal de São Paulo como instituição de excelência em ensino, promove o projeto ‘Epitácio: da fronteira ao por do sol’ como uma maneira de valorizar a região, a história e o povo em que estão inserido e, ao mesmo tempo, coaduna com as leis federais de educação.

 

                No Brasil os pioneiros em resgate e valorização da cultura são pertencentes a famosa geração de 30, ou seja, os três pensadores que primeiramente buscaram entender quem era o povo brasileiro. Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda iniciaram um processo de valorização da miscigenação e da cultura popular brasileira, todavia no período tiveram suas teorias rechaçadas, já que o racismo e o sentimento eurocêntrico eram bastantes dominantes.

                A cultura popular durante grande parte do século XX foi vista como antagônica a cultura erudita já que dominava a norma gramatical, os costumes e os hábitos da elite. Desta forma, a ideia de patrimônio era focada apenas para a preservação de monumentos que invocasse a gloria da a elite branca e de alto poder aquisitivo, não contemplando a pluralidade cultural da população brasileira.

                Com diversas ações educacionais institucionais ou não, além de uma diversificação gigantesca das fontes de informação essa realidade tem mudado bastante e hoje em dia a difusão da cultura popular e a conservação de “espaços de memória” (na expressão de Pierre Nora) ganharam importância e mecanismos de preservação e difusão. Mas em grande medida quando pensamos em patrimônio focamos apenas o patrimônio material.

                Assim como a preservação do patrimônio material, ou seja a parte física da “coisa” é importantes preservarmos o patrimônio imaterial. Esse pode ser entendido como costumes, os modos de fazer, as tradições, etc. É claro que qualquer objeto ou lugar desprovido de história e sentimentos não passam de um objeto, e justamente por isso é necessário salientar a importância da preservação do patrimônio imaterial.

                Desta feita, o projeto “Epitácio: da fronteira ao por do sol” busca trazer a tona a importância da preservação dos “lugares de memória”, bem como a memória do povo epitaciano que por meio de seus relatos, impressões e experiências vividas durante a construção do município.

                Por fim é necessário frisar que a educação sobre o patrimônio Cultural, Histórico e Natural conforme indicada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) constitui um conjunto de saberes capaz de contribuir para uma maior valorização da cultura local, dos personagens históricos e da natureza regional. Tal identificação cultural e étnica é capaz de restaurar a autoestima de um povo já que permite fortalecer sua identidade.

EPITÁCIO: DA FRONTEIRA AO PÔR DO SOL

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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

CULTURA, SOCIEDADE E ECONOMIA