2- História da Cidade

A cidade de Presidente Epitácio foi viabilizada em função da necessidade de construir um caminho entre as “terras desconhecidas do Estado de São Paulo” e uma ampla e promissora área do interior do Brasil, o Mato Grosso. Assim sendo, foi construída a “Estrada dos Boiadeiros” entre o final do século XIX e inicio do século XX. No curso desse traçado multiplicaram diversos ranchos e pousos de tropeiros, entre eles o que fundou a ‘Vila Tibiriçá”. A Vila Tibiriçá, com fundação datada de Primeiro de Janeiro de 1907, tem sua fixação as margens do importante e imponente Rio Paraná.

Francisco Tibiriçá, fundador da atual Cidade de Presidente Epitácio, sabia que além do Rio Paraná, que ladeava a região, existia a possibilidade da ferrovia, que vinha sendo lentamente construída e, assim sendo, a região podia vir a se tornar um importante entreposto comercial entre o Estado de São Paulo e o Estado de Mato Grosso. Vocação que a cidade exerceu de maneira forte durante grande parte do século XX e hoje se encontra estagnada.

Todavia, antes de falarmos sobre a atualidade da região é necessário ressaltar que o Oeste Paulista foi um território de ocupação tardia. Não há registros de monções de Bandeirantes pela região, além de incursões pelo Rio Paraná, e ainda em fins do século XIX tínhamos diferentes tribos indígenas bastante agressivas com a chegada do “homem branco”. Mesmo com esses “percalços” uma nova estrada de ligação do Mato Grosso e Paraguai com as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro era necessária, pois por outros estradas grande parte do valor do gado perdia-se pelo caminho.

No ano de 1850 é promulgada a Lei de Terras no Brasil, lei essa que do dia para noite garante que toda a terra possa ser objeto de comércio. Essa lei inviabilizava a apropriação de terras devolutas, a não ser por compra, o que levou a uma valorização das terras no país como um todo. Com a entrada do governador paulista Jorge Tibiriçá, em 1904, a região do Oeste Paulista passou a receber maior atenção do governo. O governador ofereceu a seu primo, o médico Francisco Tibiriçá, a administração do projeto da construção do caminho entre o estado de São Paulo e o Estado do Mato Grosso. Francisco Tibiriçá ainda conseguiu a autorização para a construção da estrada do lado mato-grossense e iniciou o projeto no inicio do século XX, período esse em que as tribos indígenas haviam retrocedido e representavam risco menor que o período imediatamente anterior.

No inicio do século XX a abundancia do setor cafeeiro fazia sentir-se por grande parte do Estado de São Paulo e foi com um dos cafeicultores que Francisco Tibiriçá buscou sociedade. O Coronel Arthur de Aguiar Diederichsen, rico proprietário de fazendas de criação de gado e de lavouras de café na região de Ribeirão Preto aceitou a pareceria em tal empreitada e essa sociedade resultou na empresa Diederichsen & Tibiriçá. Os dois sócios dividiram a tarefa, Francisco Tibiriçá abriria a estada no lado mato-grossense e fundaria o porto Tibiriçá e o Coronel se encarregaria da estrada no lado paulista e do provimento da empresas em tudo que ela necessitasse para obter êxito.

No lado paulista o Coronel Diederichsen contratou Francisco Guilherme de Aguiar Whitaker, conhecido como Capitão Francisco Whitaker, já administrador de suas fazendas na região de Ribeirão Preto. Capitão Whitaker se encarregou de orientar as derrubadas necessárias e abrir a Estradas dos Boiadeiros, além de buscar o melhor lugar para a implantação do porto as margens do Rio Paraná.

         Com o desenvolvimentos das incursões o Capitão Francisco Whitaker, também conhecido como “Capitão Chicuita” foi a Ribeirão Preto reunir um efetivo para inciar a construção do porto e em Ribeirão Preto também foi informado que Tibiriçá já havia terminado a estrada do lado mato-grossense e voltava a São Paulo por questões de saúde ficando assim a seu cargo instalar e gerir o Porto Tibiriçá.

Como era de se esperar a dificuldade de transporte para a obra era imensa. A ferrovia Sorocabana estava em Manduri e os tropeiros e carreiros tinham muito receio de ataque da tribo dos Coroados, famosos por sua arredios e agressivos. Por conta disso, o transporte de viveres, sementes, ferramentas e tudo mais necessário a fundação do porto teria que ir via Rio Tietê, rio que sempre guardava surpresas a seus navegantes. Assim sendo, contratou-se o Cel. Paulino Carlos de Arruda Botelho morador de Ibitinga, que organizou uma Flotilha e Francisco Whitaker, em Ribeirão Preto, que ficou responsável por organizar o pessoal. Todos reuniram mantimentos e tudo que tal expedição requeria.

Desta feita, no dia 1º/12/1906 partiu do Porto Laranja Azeda, localizado em Ibitinga, uma flotilha integrada por nove barcas de madeira e uma grande lancha de ferro, descendo o rio Tietê rumo à fundação e instalação de Porto Tibiriçá.

Em seu livro “Recordações” o próprio Capitão Francisco Whitaker nos relata como se deu a fundação de Presidente Epitácio: “No dia primeiro de janeiro de 1907, ao meio dia, depois de trinta e um dias de penosa navegação, a flotilha estava ancorada no Porto Tibiriçá. Era o termo de nossa viagem. A primeira etapa estava vencida” (WHITAKER, F. Recordações. f. 06). A partir desse momento foram lançadas a base da cidade de Presidente Epitácio.

A viabilidade do desenvolvimento do Porto Tibiriçá ainda dependia da finalização da construção da Estrada dos Boiadeiros, finalizada em 1908. Por essa estrada levava-se gado, couros salgados e cereais para o Estado de São Paulo a fim de serem trocados, sobretudo por artigos manufaturados. A própria empresa Diederichsen & Tibiriçá mudou de denominação em 1908 chamando-se Companhia de Viação São Paulo Mato Grosso, que passou a focar seus negócios na compra de gado no Estado do Mato Grosso e na venda do mesmo no Estado de São Paulo pela cada vez mais utilizada Estrada Boiadeira.

Estrada essa que era pedagiada a outros interessados no mesmo tipo de comércio. Além do transporte de gado a companhia lucrava com o aluguel dos pousos e dos pastos pelo caminho. Aos poucos Porto Tibiriçá constitui-se em um ponto de confluência. Além dos homens que por ali tiveram que passar os rebanhos, que buscavam valorização nos mercados mais populosos ao sul, tinham que por ali passar. Com todo esse movimento comercial Porto Tibiriçá ganhou forte impulso e ao seu redor nasceu a Vila Tibiriçá.

Não podemos compreendermos a história de Presidente Epitácio sem falarmos da Estada de Ferro Sorocabana. Originariamente a Estrada de Ferro Sorocabana – EFS tinha como destino as margens do rio Paranapanema, próximo a desembocadura do rio Tibagi. Todavia, Porto Tibiriçá e sua crescente importância provocou uma mudança no seu traçado. Próximo ao Porto Tibiriçá foi construída a última estação da linha da Estrada de Ferro Sorocabana, fazendo com que a Estrada de Ferro chegasse às margens do rio Paraná. O ramal, que posteriormente tornou-se a linha-tronco da Estrada de Ferro Sorocabana, teve seu nome e arredores identificado como Porto Presidente Epitácio em 1919, homenagem ao presidente Epitácio Pessoa que acabaria por deixar o cargo exatamente no ano da inauguração em 1922.

EPITÁCIO: DA FRONTEIRA AO PÔR DO SOL

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